2º Capítulo da A Novela da Minha Vida Real


Final de fevereiro de 2009, pela manhã ele saiu para trabalhar e eu deitei para descansar um pouco e dormi o sono da gravidez, pesado. Lá pelas duas da tarde eu levantei e fui ao banheiro - é claro que vocês já sabem o que aconteceu - perdi meu bebê em casa, sem dor, sem aviso, simplesmente saiu.

Chorei por uma semana inteira, choramos, mas quando eu pensei que ia morrer, Deus me consolou. Ele parecia mais forte, mais determinado que conseguiríamos novamente, mal sabia eu que tudo ia mudar. Imaginem um casal juntos a anos, apaixonadíssimos, como se tivessem acabado de se conhecer, "meu amor pra cá, minha vida pra lá" e em um instante tudo isso desapareceu. As brigas começaram a surgir, ele ficou tão frio, eu tão irritada e nós dois perdidos.

Continuamos tentando, já tínhamos nossa casa, nossos bens, trabalhos bem sucedidos, uma situação favorável para criarmos uma família perfeita, porém os filhos são herança de Deus e ele os dá a quem ele quer. 


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"Deus dá filhos pra quem não quer! Por que pra quem quer e tem condição ele não dá?" 
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"Não se preocupe, o mês que vem está chegando, agora vai vir!.. Não tem problema, esse mês vem!.. Atrasou de novo, agora é!.. Não esquenta, vocês ainda são jovens, quem sabe no mês que vem... Nós vamos ter mais sorte da próxima vez..." e assim foi pelos anos seguintes. Eu via a cara de decepção que ele fazia quando íamos às reuniões de família, com todos aqueles sobrinhos, e a revolta quando ouvia uma notícia de que alguém tinha maltratado uma criança, ele esbravejava dizendo que "Deus dá filhos pra quem não quer! Por que pra quem quer e tem condição ele não dá? Isso não é justo!" e não era mesmo.

Com o tempo, deixamos de frequentar essas reuniões e logo em seguida "desistimos" de ter um bebê. Quase que nos conformamos que seríamos só nós dois, não esperávamos mais, não contávamos mais,  não marcávamos mais consultas, nem sequer falávamos mais de outros tratamentos, pois tudo falhou sem qualquer diagnóstico do problema. O pior era ouvir que não tínhamos nada, os médicos não sabiam porque não conseguíamos engravidar. No entanto, mais tarde, entendi porque Deus não permitiu e vocês logo vão entender também.    

Todo ser-humano precisa de uma válvula de escape. Eu não tinha vícios, frequentava a igreja, não gostava de baladas e nunca fui de muitos amigos, até hoje os seleciono muito bem, se você é meu amigo, então é porque é mesmo

Mas infelizmente procurei o pior jeito de fugir do problema (e fugir é o melhor jeito?), sem perceber eu passei de compradora consciente e comedida à gastadora fanática e desesperada, vou explicar. Se eu estivesse assistindo a tv e visse a propaganda de um produto que me interessasse, eu logo SENTIA a real necessidade daquilo, no começo era empolgante, mas depois eu me arrependia terrivelmente. Era rotina passear nos shoppings todos os dias, sim, todos os dias. Fui entulhando tanta coisa cara, repetida e sem uso, mas essa foi a minha "saída", como eu não conseguia ser mãe, então eu tinha quer ser uma esposa maravilhosa e eu achava que as coisas que eu comprava iam me transformar em uma pessoa melhor, mas foi exatamente o contrário. É claro que eu arrumei dívidas, chega uma hora que você não consegue parar. E pra piorar a situação, como eu estava sempre sozinha, ele achava que podia compensar a sua ausência me dando coisas. Uma bolsa, um sapato, um perfume, simplesmente coisas... que tolos!   

Homem quando tem a consciência pesada, acha que é melhor presentear do que conversar, mas a mulher acha exatamente o contrário. Que bom que nem todos os homens são assim. Isso só nos afastou mais, escolhíamos as conversas e nos agredíamos usando a nossa incapacidade de ter filhos.

Juro que qualquer um que o conhecesse, colocaria a mão no fogo por ele, eu principalmente. Mas um dia, saindo do shopping, dessa vez com poucas sacolas, achei que poderia ir caminhando pra casa, pois  morava bem perto da li, foi quando o encontrei na rua, em um horário estranho, segurando a bolsa de uma mulher, caminhando ao lado dela, os dois conversavam tão intimamente, na hora eu levei um susto e a minha intuição gritou. "De onde veio essa fulana e desde quando eles se conhecessem, pelo grau de intimidade, como eu nunca ouvi falar dela?". "Que bobagem, ele está apenas sendo gentil." Por  outro lado fiquei intrigada. "Voa no pescoço dela e mostra quem manda aqui!" Calma, vocês logo vão descobrir o que eu fiz.


CONTINUA...




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2 comentários:

  1. nossa, tua história realmente daria um livro, filme, novela.... agora me deixastes curiosa em saber o que fizestes
    bjs
    tititi da dri

    ResponderExcluir

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